COLUNA DE 24 DE MARÇO


E como transformou!

Em sua coluna de ontem, Cláudio José salientou: “dizem que 1968 foi um ano especial e que mudou o mundo”. À época, com 27 anos e lecionando Português e Francês no CENE de Tupi, vi, li, ouvi e convivi com dezenas de fatos que marcaram o país e o mundo, para sempre.

“O ano que não terminou”
1968 recebeu essa denominação, através de um livro de Zuenir Ventura. Entrou para a história como um período extremamente movimentado e cheio de acontecimentos importantes como os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy (Estados Unidos), a Guerra no Vietnã, além de várias manifestações estudantis contra a aludida guerra e contra regimes autoritários vigentes em diversos países do mundo, sobretudo na América Latina. No Brasil, foi marcado pela instituição do AI-5, assinado pelo presidente Costa e Silva.
Para não esquecer
O Ato Institucional nº 5 (AI-5), baixado em 13 de dezembro de 1968, foi a expressão mais acabada da ditadura militar brasileira (1964-1985). Vigorou até dezembro de 1978 e produziu um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros. Definiu o momento mais duro do regime, dando poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime ou como tal considerados.
Sobrou pra todos
Até o fim daquele mês, 11 deputados federais foram cassados. A lista de cassações aumentou no mês de janeiro de 1969, atingindo não só parlamentares, mas até mesmo ministros do Supremo Tribunal Federal. O AI-5 não só se impunha como um instrumento de intolerância em um momento de intensa polarização ideológica, como referendava uma concepção de modelo econômico em que o crescimento seria feito com “sangue, suor e lágrimas", salienta a escritora Maria Celina D’Araujo.
Teve mais
Na Tchecoslováquia, a “Primavera de Praga” colocava jovens em luta contra as exigências do socialismo nivelador e hegemônico, imposto pela União Soviética. Entre os franceses, uma onda de protestos estudantis colocava fábricas em greve e questionava o tom conservador daqueles tempos.
Valdir Andrêo

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