COLUNA DE 9 DE JULHO
Ninguém é santo
Nos últimos dias,
ganhou extraordinária repercussão a manobra dos dirigentes norte-americanos
para postergar decisão do tribunal esportivo da Fifa e possibilitar a escalação
de atleta, punido pelo cartão vermelho, em jogo decisivo do mundial de futebol.
Vitoriosa nos bastidores, a medida não vingou no gramado e os EUA acabaram
perdendo.
Desde o século passado
O Brasil também já utilizou expediente condenável, no mundial de 1962, disputado no Chile. Numa das semifinais, derrotou o Chile por 4 a 2 e teve o ponteiro Garrincha expulso. Em consequência, não poderia utilizar o atleta, na final contra a Checoslováquia. Mas a proibição dependeria do testemunho do bandeirinha uruguaio Estebam Marino que trabalhava na partida e acompanhou o lance da expulsão.
Através do companheiro
Sabedores de que Marino era amigo de João Etzel, outro apitador que dirigia jogos do Paulistão, a então Confederação Brasileira de Desportos o incumbiu de mandá-lo ao Chile e pressionar o árbitro uruguaio. Evidente que Etzel levou uma mala de dinheiro e instruiu Marino para que sumisse e não comparecesse ao julgamento. Sem o testemunho, Garrincha foi absolvido, o Brasil ganhou dos checos e tornou-se bicampeão.
Personagens conhecidos
Na época, repórter
de campo da rádio Auri-Verde, acompanhei vários compromissos do Noroeste de
Bauru, pelo campeonato paulista. Os dois conduziam jogos do time. Etzel tinha
desempenhos criticados e se comentava que participava de ´esquemas´. Já Marino
era elogiado pela seriedade e firmeza nas atitudes.
Professor Valdir Andrêo
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